Vida Alves nasceu na cidade mineira de
Itanhandu, a 15 de abril de 1928. Seu pai era um engenheiro civil e poeta modernista de
nome Heitor Alves, carioca, que por motivos de saúde foi morar nas Mantiqueiras. Ali
conheceu Amélia Scarpa Guedes, filha de fazendeiros e com ela casou-se. Do casamento
nasceram cinco filhos: Helle, Vida, Homem, Poema e Ritmo. Amélia, depois da
morte do marido, foi para São Paulo. Vida estava com seis anos de idade. Logo aos dez
anos Vida participou de um programa de rádio. Começou sua carreira no Clube do
Papai Noel, de Homero Silva, na Rádio Difusora de São Paulo. Era cantora-mirim, e
gostava de imitar Carmem Miranda. Precisava colaborar com a renda familiar e
assim conseguiu um papel de menino, na novela A Vingança do
Judeu, dirigida por Oduvaldo Viana, na Rádio São Paulo. Daí a receber o primeiro
contrato foi um passo. Passou a integrar o elenco radioteatral da Rádio Panamericana e
depois por várias outras emissoras até chegar à Rádio Tupi, onde foi contratada por
Walter Forster. Estava com dezoito anos, e seu teste foi feito pelo então sonoplasta,
Lima Duarte. Nessa emissora Vida ficou 22 anos. E foi aí que entrou para a televisão,
pois Assis Chateaubriand lançou a primeira emissora da América Latina, em 18 de setembro
de 1950. Vida também havia ingressado, em 1947, na Faculdade de Direito do Largo São
Francisco. E no último dia de 1949, casou-se com Gianni Gasparinetti, engenheiro
italiano, recém chegado da Itália, e que fora contratado para erguer a Televisão Tupi,
no Brasil. Para as Rádios Tupi e Difusora escreveu 14 novelas e para a Televisão Tupi
escreveu novelas e programas, entre eles o Tribunal do Coração, em que Vida
Alves aproveitava um pouco do que havia aprendido na Faculdade de Direito e encenava
casos, que eram julgados, como se fosse um juri de verdade. Participou do TV
de Vanguarda, de Walter George Durst e Dionizio Azevedo e TV de
Comédia, de Geraldo Vietri. Montou uma Academia de Rádio e TV - ART, em que
preparava atores novos. Teve dois filhos: Heitor e Thais, e os carregava para a emissora,
desde a mais tenra idade. Participou da primeira novela da TV Brasileira, escrita e
interpretada por Walter Forster: Sua Vida me Pertence, onde houve o primeiro
beijo na telinha. Vida Alves também montou, mais tarde a Vida
Produções. Em 1978, já viúva, Vida passou por uma fase difícil e acabou
por se afastar da televisão. Junto com sua filha Thais, dedicou-se a sua nova empresa
Vida Alves de Comunicação, que foi inaugurada em 1982 e perdura até hoje,
treinando executivos, empresários e políticos, na arte de bem se expressar. É fundadora
da Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira-APITE, onde visa manter viva
memória da televisão do Brasil, e erguer um Museu para isso.
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